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Como era um livro feminista no século 15?

O Estado de S. Paulo - A Fundo - Sao Paulo - SP - Quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Como era um livro feminista no século 15? e as mulheres ainda têm S de escutar bobagens so- bre o que são ounão capa- zes de fazer e sobre o pró- prio corpo, imaginem como era no século 15. Um livro de mais de 600 anos atras, lançado no Brasil pela Editora 34, dá algu- mas pistas sobre isso. Concluída por Christine de Pizan (1364-1431) em 1405, A Ci- dade das Mulheres é tida como a primeira obra feminista da his- tória da literatura ocidental. E, pasmem, tem passagens que ainda hoje fazem sentido. Filha de Tommaso di Benve- nuto da Pizzano, médico e astró- logo da corte do rei francês Car- los V, Christine nasceu em 1364 em Veneza e aos 4 anos se mu- dou para Paris, onde teve acesso à Biblioteca Real da França. Em 1380, ela se casou com o secretá- rio do rei e com ele teve dois fi- lhos e uma filha. Teria vivido pa- ra a vida doméstica não fosse a morte do pai e do marido. Viúva aos 25 anos, acabou desfrutando do maximo de liberdade de que uma mulher podia então dispor decidir não se casar de novo e manter a família com O próprio trabalho. Nocasodela, isso signi- ficouse dedicar a algo pouquissi- mo comum às mulheres da épo- ca: viver de escrever livros. No blog Mulheres na Filoso- fia, a professora adjunta da Universidade Federal do Rio Luciana Garbin Grande do Sul (UFRGS) Ana Rieger Schmidt explica que Christine produziu em fran- cês mais de 40 obras de dife- rentes gêneros. "Destacam-se os livros de instrução moral pa- ra O cultivo das virtudes, guias políticos para membros da cor- te e adefesa do sexo feminino." Christine econsiderada a pri- meira escritora profissional do Ocidente. "Ela também se envol- via diretamente na confecção de seus livros e presenteava compilações dedicadas a poten- ciais mecenas, buscando segu- rança financeira e renome.' Uma coisa que a incomoda muito era a maneira como as mulheres eram tratadas nas Instagram: @lucianagarbin obras da época. E justamente is- so parece ter inspirado a criação de A Cidade das Mulheres. O livro começa com Christine receben- do a visita de três Damas a Ra- zão, a Retidão a Justiça com o anuncio da construção de um local destinado: acolher mulhe- res. Dai nome do livro. Inspira- da na Cidade de Deus, de Santo Agostinho, seria uma cidade utopica, blindada contra a miso- ginia e as injustiças de gênero. A autora resgata várias histo- rias de figuras femininas que aca- baram ignoradas pelos livros. Christine também aborda ques- tões que parecem bem atuais. Comoc bestupro: um dos capitu- los mostra exemplos para refu- tar quem diz que "as mulheres gostam de ser violadas". "Sabes por que mulheres co- nhecem menos que homens? (...) É porque elas são menos ex- postas a uma larga variedade de experiências já que precisam fi- car em casa O dia inteiro em no- me do lar", escreve. "Não há na- da como umagama completa de diferentes experiências e ativi- dades para expandir a mente de qualquer criatura racional." NA WEB Leia integra da coluna Como era um IMTO feminista no século 15? www.estadao.com.br/ JORNALISTA 00 ESTADAO. PROFESSORA DA FAAP EMAE DE GÉMEOS
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