Brasil primeiro
O Estado de S. Paulo - Notícias - Sao Paulo - SP - Quarta-feira, 01 de outubro de 2025
O Brasil foi escolhido pela maior exchange (corretora de criptoativos) do mundo, a Binance, e pela fintech norte-americana LiberPay como o país para aplicar suas inovações no universo cripto. No caso da Binance, trata-se do relançamento do cartão Binance Card, em parceria com a Mastercard, enquanto a LiberPay traz para o Brasil uma plataforma descentralizada que permite aos usuários o pagamento via criptomoedas e stablecoins sem intermediários. O motivo da escolha do País é simples: o Brasil tem a maior adoção de cripto na América Latina e ocupa a quinta posição no mundo, segundo o relatório da plataforma de dados em blockchain Chainalysis. Índia, Estados Unidos, Paquistão e Vietnã encabeçam o ranking.
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A ideia de ambas as empresas é popularizar o uso de criptomoedas e stablecoins no dia a dia. No caso da Binance, a empresa oferece há cerca de cinco meses a função de pagamento via Pix, na qual o cliente Binance pode usar seus recursos em qualquer estabelecimento que aceite o Pix. O usuário paga em cripto, e o vendedor recebe em reais. A mesma lógica se aplica ao Binance Card. O cartão funciona com o modelo pré-pago, no qual o usuário só pode usar os recursos que já tem em sua conta. Pesquisa realizada pela LiberPay, com dois mil participantes, mostrou que 80% dos brasileiros que tem criptoativos querem fazer pagamentos com as moedas digitais. Destes, 85% nunca encontraram estabelecimentos onde isso fosse possível.
Já no caso da solução da LiberPay, qualquer semelhança entre o Pix e ela não é mera coincidência. A própria empresa afirma que ambas as experiências são parecidas: basta escanear um QR Code para realizar o pagamento com stablecoins, como USDT ou USDC, lastreadas ao dólar. Segundo Tobias Kleitman, cofundador da LiberPay, a pesquisa mostra também que os brasileiros querem transacionar facilmente em stablecoins atreladas ao dólar, mas carecem de ferramentas fáceis de integrar e usar. Nesse sentido, a LiberPay pretende preencher essa lacuna.
Oportunidade única
A LiberPay afirma que identificou, a partir de estudos de mercado, uma oportunidade única: embora a indústria de pagamentos cripto esteja crescendo rapidamente e ganhando atenção do grande público, ainda não há participantes descentralizados - ou seja, que não são bancos ou corretoras - que tenham se posicionado com investimentos consistentes em marketing e educação. Isso abre espaço para que a LiberPay se torne referência e alcance escala rapidamente. Para eles, o diferencial da empresa combina taxas extremamente baixas, eliminação de intermediários e total controle dos recursos pelo usuário, com uma experiência simples, comparável ao Pix.
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Segundo o vice-presidente regional da Binance para a América Latina, Guilherme Nazar, o Brasil é um mercado onde o usuário que já está no universo cripto tende a ser muito sofisticado, a ponto de os investidores também quererem usar suas criptos para alguma utilidade do dia a dia, como para algum tipo de consumo. Segundo Nazar, o tom especulativo já passou, e as criptos se tornaram uma classe de ativos, uma reserva de valor, e agora entram na fase de utilização, onde os meios de pagamento são a evolução natural.
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A pesquisa "Status do Pagamento com Criptomoedas no Brasil em 2024", da Foxbit Business, unidade de negócios da Foxbit centrada no B2B (negócios entre empresas), ouviu mais de 1,2 mil participantes e mostra que 16% dos entrevistados já realizaram pagamentos com criptomoedas. A mais usada é o bitcoin, com 63% das operações, seguida do ethereum, com 32%, e do USDT, em terceiro lugar, com 20%. A pesquisa demonstra ainda que mais de 16% da população brasileira já tem criptoativos, o que representa aproximadamente 32 milhões de usuários. Entre os Estados que mais se destacam estão São Paulo, com 32,7% das transações, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais, com 9,6% e 8,9%, respectivamente. Além disso, 62% das pessoas que já realizaram pagamentos com criptomoedas têm entre 26 e 49 anos de idade.
Segundo o levantamento da Foxbit, setores como turismo, educação, saúde e entretenimento lideram a aceitação de criptoativos, oferecendo mais opções aos consumidores. Já na pesquisa da LiberPay, os setores são: varejo e e-commerce, turismo e hospitalidade, restaurantes, mercado imobiliário e fintechs.
Esta notícia foi publicada no Broadcast+ no dia 30/09/2025, às 19:07
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